A economia do Brasil hoje

Por: Marcelo Braz de Almeida

Na internet circulam informações que em muitos casos só visam desinformar-nos, entre elas está a afirmação de que os governos de FHC e Lula são parecidos, principalmente na condução da economia nacional. Tremenda inverdade!

Para FHC, com os recursos reprezados os bancos teriam muito mais capital para empréstimos, o que supostamente reduziria o valor da taxa de juros para o setor empresarial. Se os juros caíssem, isso geraria um circulo virtuoso que naturalmente levaria ao aumento do investimento produtivo. Seguindo este tipo de raciocínio, ele chegou à conclusão de que mais investimentos seriam postos em prática, e o capital chegaria ao grosso da população. Ele estava equivocado! Os bancos nunca chegaram a diminuir os juros, porque era mais fácil e lucrativo embolsar o excesso ou aplicá-lo em um dos diversos fundos financeiros globais, produtos das fantasiosas engenharias financeiras contemporâneas. Acreditar que o aumento da poupança geraria necessariamente a queda dos juros e aumento do fluxo de empréstimos foi, no mínimo, inocência. O que leva ao aumento dos investimentos e do crescimento econômico é a oferta de crédito, o gasto da população e o gasto do governo. 'Novas Idéias de Economistas Mortos'."

Para Lula, por outro lado, o povo tem que gastar! Pegar o dinheiro do salário e usá-lo para as compras de natal, não o deixar em um banco guardado. O exemplo do pensamento neo-keynesiano de Lula é a velha frase: 'pegue o seu dinheirinho guardado no banco e use para comprar seu eletrodoméstico, para viajar, para comprar uma flôr para sua mulher'.

Com Lula se adotou uma política neo-keynesiana que fortaleceu o consumo interno, expandindo a oferta de crédito no mercado, principalmente por meio dos bancos públicos. No "front" externo estabeleceu-se uma estratégia geopolítica que diversificou e ampliou exponencialmente o comércio exterior (principalmente o comércio sul-sul, tão criticado pelos conservadores) e deu-se força ao setor público com a participação direta do governo no crescimento econômico por meio de investimentos estratégicos em obras de infra-estrutura e a paralização da política privatizadora.

O crescimento hoje só não é mais efetivo porque, apesar dos altos investimentos públicos atuais, o mundo vive uma recessão poderosa e o país ainda não tem um conjunto de normas que agilize e facilite o investimento e a realização de obras que o possibilite crescer a taxas maiores. Há tantos mecanismos de fiscalização (não sem motivo) que é muito difícil se desfazer dos entraves que atrazam e paralizam obras, e há todavia uma taxa real de juros tão elevada (mas incomparavelmente menor que as taxas encontradas no governo FHC) que dificulta sobre maneira o investimento por parte do capital privado.

Também acho que o país ainda peca pela ausência de uma série de reformas: tributária (que está trancada no Congresso há meses), política (já uma proposta interessante, mas que ainda está travada pelo Congresso), reforma do código processual penal e reforma educacional. As duas primeiras deveriam ser votadas este ano, mas há gente na oposição e na própria base do governo no Congresso jogando contra. Pelos motivos que nós já conhecemos.

Sobre a reforma tributária, acho que o governo deveria tributar mais o imposto de renda, voltando a estabelecer várias categorias de acordo com o rendimento (principalmente a cobrança de 55% dos rendimentos das grandes fortunas como acontece em alguns países da Europa) e abaixar os impostos que incidem sobre a cadeia produtiva, como o ICMS, por que estes últimos atrapalham o crescimento das empresas e encarecem os produtos para os consumidores, principalmente os de baixa renda. Sem falar na zorra do efeito cascata!!!

Mas é inegável que o país mudou, em muitos aspectos, para melhor. Basta ver os números!

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